
dois dedos
xícara de pinga
dose de chá
sobriedade repousa sobre o pires
água de Narciso
leva meu reflexo
tão profundo
afunda esse outro
inseguro
sei, não se emerge imaculado
lá se afoga, sim
a certeza me livrará de toda vaidade
dos pulmões encharcados
as dores no peito
antecedem o verdadeiro
primeiro suspiro
apenas dois dedos
desse rio engarrafado
do barro que vim
estou pronto para ser remodelado
bebo-me
minha dor ponho num copo
com casquinhas de limão na borda
Lucas Santana